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Como é feita a cauterização química?

Médico usa cotonete no pé da paciente
12 nov, 2021

Procedimento permite a remoção de diferentes tipos de lesões dermatológicas, entregando resultados rápidos e satisfatórios. Mas tratamento deve ser indicado pelo médico

A cauterização química é um procedimento simples, realizado em consultório, para tratamento de lesões dermatológicas benignas ou pré-malignas por meio da destruição do tecido da pele.

Entender quais as condições dermatológicas que podem ser tratadas com a cauterização química e como o tratamento é realizado é fundamental para buscar auxílio especializado.

O que é e como funciona a cauterização química?

A cauterização química consiste na aplicação de uma substância cáustica ou ácida sobre uma lesão na pele para removê-la. Isso é possível graças à reação de calor gerada no local tratado.

Após a aplicação da substância, o local fica esbranquiçado ou amarelado e pode arder momentaneamente devido ao ácido. Em seguida, pode haver uma reação, deixando a área irritada, inchada e avermelhada.

Nos dias posteriores ao tratamento, o local escurece e a pele fica rígida, em decorrência da morte das células. Em cerca de duas semanas, surge uma crosta de cicatrização e as lesões dermatológicas prévias são eliminadas.

Devido ao uso da substância cáustica ou ácida, é importante que se evite a exposição solar durante o tratamento, que pode levar uma ou mais sessões, de acordo com o tipo de lesão tratada.

Quais os agentes químicos usados na cauterização?

Existem diferentes substâncias usadas na cauterização química, sendo que a escolha depende da avaliação dermatológica especializada, uma vez que o uso e duração do tratamento variam de acordo com a lesão.

As substâncias frequentemente usadas na cauterização química incluem:

  • Ureia: consiste em uma substância queratolítica potente que promove a descamação e maciez em locais mais grosseiros;
  • Ácido salicílico: com indicações semelhantes às da ureia, essa substância promove a descamação do estrato córneo, que consiste na parte superficial da pele, não acometendo as demais camadas;
  • Ácido tricloreacético (ATA): trata-se de uma opção comum dos dermatologistas para realizar a cauterização química, pois resulta na necrose das camadas superficiais da pele. Para controlar a profundidade da aplicação, o especialista varia a concentração da substância, que pode ser usada para ceratoses actínicas e seborreicas, melanoses solares, verrugas e xantelasmas;
  • Cantaridina: obtida a partir da planta Cantharis vesicatoria, consiste em uma substância que forma bolhas, mas não causa dor na aplicação. É usada no tratamento de verrugas virais, sendo necessárias algumas sessões para os resultados almejados. Após ser aplicado em consultório, o médico faz um curativo, que deve ser removido em cerca de quatro horas, e a substância é então removida com lavagem pelo próprio paciente;
  • Podofilina: substância usada no tratamento de verrugas genitais e perianais devido à sua eficiência nos tecidos mucosos, além de ser indicada para verrugas planas na pele. O agente deve ser mantido no local entre sete e 12 horas, demandando algumas sessões para obtenção dos resultados;
  • 5 fluoroutacil (5-FU): consiste em um agente quimioterapêutico indicado no tratamento de verrugas planas, periungueais e genitais e ceratoses actínicas.

Outro tratamento muito indicado é o da eletrocauterização, que se destaca na remoção de formações benignas e pré-malignas das regiões cutâneas.

Quando a cauterização é indicada?

A cauterização química é indicada apenas para lesões dermatológicas benignas e pré-malignas, uma vez que o processo de remoção químico impossibilita a coleta de material e realização de biópsia, o que é fundamental em caso de lesões malignas.

Os casos nos quais a cauterização química costuma ser indicada na abordagem dermatológica incluem:

  • Verrugas;
  • Melanoses solares;
  • Hiperplasias sebáceas;
  • Queratoses actínicas ou seborreicas;
  • Granuloma piogênico;
  • Xantelasmas.

A cauterização química pode atender diferentes demandas dermatológicas, sendo a avaliação especializada um passo fundamental na decisão acertada pelo procedimento.

Trata-se de um procedimento seguro e bastante efetivo quando bem indicado e realizado por um profissional capacitado. O especialista pode indicar tanto outros tipos de cauterização para lesão dermatológica, como com laser, ou optar por outras técnicas de remoção, como microcirurgia ou crioterapia. Dessa forma, a assistência médica é essencial à qualidade e segurança do tratamento.

Fonte:

Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Dra. Maria Claudia Luce

Formada em Medicina pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e pós-graduada em Medicina de Família pela mesma instituição, a dermatologista Dra. Maria Claudia Alves atua na dermatologia clínica, dermatologia cirúrgica e dermatologia estética.