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Remoção de pintas

Muitas vezes consideradas como marquinhas charmosas, as pintas se apresentam em forma de manchas ou pequenas elevações de coloração que variam entre o castanho claro e o preto. Embora geralmente sejam benignas e não representem perigo à saúde, algumas dessas manifestações podem estar associadas ao câncer de pele, exigindo que o paciente seja submetido a um procedimento para remoção de pintas.

Dermatologista segura instrumento para realizar remoção de pintas
Imagem: Shutterstock

Cientificamente chamadas de nevos melanocíticos, as pintas são pequenas lesões formadas pela concentração anormal de melanócitos — células responsáveis pela produção de melanina. A remoção de pintas só é necessária em casos muito específicos, quando se multiplicam de forma acelerada e podem se tornar um melanoma, demandando avaliação dermatológica.

As pintas podem ser tanto marcas de nascença como aparecer ao longo da infância e idade adulta, estando muitas vezes associada à exposição solar e predisposição genética. Em geral, sua presença no organismo é considerada normal: em média, estima-se que todas as pessoas tenham uma média de 40 a 60 nevos pelo corpo, sem prejuízo à saúde da pele.

Quando a remoção de pintas é necessária?

De maneira simplificada, existem duas situações em que a cirurgia para remoção de pintas é indicada: por questões estéticas, quando a pessoa se incomoda com a presença e aparência dos nevos, ou por motivos de saúde — quando a pinta pode se transformar em um tumor maligno. Cabe ao dermatologista fazer a avaliação e acompanhamento do caso, identificando suas chances de malignidade.

Uma das técnicas mais utilizadas pela medicina para fazer a avaliação das pintas é conhecida como teste ABCDE, que consiste na avaliação dos seguintes critérios:

  • Assimetria: formato simétrico e proporcional indicam nevos benignos;
  • Bordas: bordas regulares e precisas apontam pintas saudáveis;
  • Coloração: pintas que mudam de cor ou apresentam tonalidades distintas demandam atenção;
  • Diâmetro: pintas saudáveis se mantêm com o mesmo diâmetro ao longo do tempo;
  • Evolução: crescimento acelerado no tamanho e quantidade das pintas é considerado um sinal de perigo.

Além desta avaliação, o dermatologista pode indicar a realização de uma dermatoscopia para visualizar as estruturas da pele de maneira detalhada e precisa, avaliando assim as características das lesões e identificando a necessidade de realizar a cirurgia para remoção de pintas.

Relação entre pintas e risco de melanoma

A presença de pintas irregulares é considerada um marcador de risco para o desenvolvimento de melanoma, um tipo de câncer maligno bastante agressivo. Por isso, é fundamental que pacientes que apresentam nevos sejam acompanhados por um dermatologista e façam um autoexame mensalmente. Pintas novas, que cresceram, causam coceira, sangram ou doem devem ser avaliadas.

Por ser considerado grave e com alto risco de se espalhar pelas demais estruturas da pele e do organismo, o melanoma deve ser diagnosticado e tratado o mais rápido possível. O atraso na remoção de pintas, nesses casos, pode fazer toda a diferença no prognóstico da doença e comprometer seriamente a saúde do paciente. Por isso, vale a pena procurar um dermatologista sempre que os sinais de pele surgirem.

Como é feita a cirurgia de remoção de nevos melanocíticos?

Quando a avaliação ABCDE e a dermatoscopia apontam para um risco elevado de melanoma, a cirurgia para remoção de pintas passa a ser indicada. Este procedimento pode ser realizado a partir de diferentes técnicas, que variam de acordo com a forma, o tamanho, a localização e o aspecto da lesão. Em geral, a extração pode ser feita em ambiente ambulatorial, com uso de anestesia local.

A excisão cirúrgica é feita com ajuda de um bisturi, que faz um corte ao redor da pinta, com margem de segurança que varia de 2 a 4 milímetros. O material extraído é encaminhado para exame histopatológico para determinar se as margens estão livres de tumores, e a ferida resultante é fechada com pontos. Em geral, este também é o tratamento padrão para casos de câncer de pele.

Outras opções cirúrgicas para remoção de pintas são o shaving, indicado para pintas pequenas e que se elevam acima da superfície da pele, e a biópsia com punch — que utiliza um bisturi circular (chamado punch) para retirar a lesão. Caso a cirurgia tenha caráter apenas estético, um tratamento a laser também pode ser realizado para remover o nevo por meio da cauterização.

Cuidados com a cicatrização e prevenção

A cirurgia para remoção de pintas é um tratamento necessário para casos com suspeita de malignidade, e os cuidados com sua cicatrização são essenciais para a plena recuperação do paciente. Nesse sentido, é essencial que sejam seguidas as orientações do dermatologista no que diz respeito à higiene do local em que o nevo foi extraído e uso de antibióticos.

Depois da retirada dos pontos, o médico pode indicar o uso de produtos específicos para cicatrização e regeneração dos tecidos cutâneos. Além disso, é fundamental que a região fique protegida da exposição solar e que o paciente adote medidas preventivas para evitar o desenvolvimento de melanomas, especialmente se ele apresentar fatores de risco.

Em geral, os fatores de risco dizem respeito ao histórico familiar de cânceres de pele, queimaduras solares frequentes e presença de pele clara. Os cuidados recomendados, por sua vez, se resumem ao uso frequente de protetor solar, evitar exposição excessiva aos raios ultravioleta e fazer autoexame regularmente à procura de novas pintas ou manchas suspeitas na pele.

Caso você tenha uma ou mais manchas na pele com características consideradas suspeitas, agende uma consulta com a dermatologista para avaliar a necessidade de realizar a cirurgia de remoção de pintas.

Fontes:

Sociedade Brasileira de Dermatologia;

Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica;

Instituto Oncoguia.